sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Naquela noite de chuva

Enquanto a chuva caia em Concórdia, anormalmente, naquela época do ano, os ânimos se alinhavam. Todos procuravam conforto diante da tempestade inesperada: uns afogaram as carências em um prato de sopa, outros nos braços dos amantes ou ainda numa garrafa de whisky.

Robert
- Você parece incomodado, Robert. - Interpelou Ana, enquanto saia nua da cama e caminhava até a janela, onde o amante observava a chuva.
- É só que... esta chuva... esta época do ano. Não deveria estar acontecendo.
Ela o abraçou por trás:
- A chuva é algo bom, não importa a época do ano, Bob. Vivemos no meio do deserto. Cada gota de água é importante...
Robert apenas concordou com a cabeça, sem mudar a sua expressão: Você está certa, vou fumar um cigarro nos fundos.
Com algum esforço encontrou as calças no chão e as vestiu trôpego pelo corredor que levava até a cozinha, abriu a porta e antes mesmo de acender o cigarro, olhou para trás para se certificar que estava sozinho:
Deixou que algumas gostas de chuva molhassem a palma de sua mão, enquanto perguntava: Esta chuva é natural?
A resposta lhe arrepiou a espinha.


Tara




Revirou-se na cama enquanto ouvia o marido gemer no quarto ao lado... Normalmente o barulho não a incomodava, mas os gemidos junto com aquelas risadas cada vez mais altas ao fundo pareciam querer enlouquece-la. Sentia que a cidade toda respirava aliviada pela chuva, com exceção dela, atormentada pelas vozes que só ela escutava e do pobre ser que estava preso no sotão dos endinheirados donos dO Profeta.
Sabia que precisava fazer algo, antes que Os Magísteres descobrissem que "aquilo" era capaz de ver os mortos. Eles com certeza o levariam... Para onde?







John


Tragou com força o cigarro e logo depois o passou para o irmão.
- Não acho seguro para vocês que eu fique por aqui, J.
O irmão fez o mesmo e se serviu de um gole de whisky tirado diretamente do barril.
- Mas por que, J? - A ideia de ficar longe do irmão era terrível. Conseguiria ficar sem a esposa, sem as terras, mas não sem seu irmão gêmeo.
- Tenho medo de que Os Magos façam algo para você ou Margareth. Tenho medo de que confundam nós dois... tenho medo de muita coisa. Muita coisa pode dar errada...
- Mas a culpa é deles, J! Eles que não te levaram quando você era criança! Eles que deveriam ter feito a coisa certa!
- E desde quando um Mago está errado, J? Me diz! - Balançou a cabeça e apagou a bituca com a bota.





Buck




- Você tem certeza de que isso é ruim, Cinte?
Cinte caminhou até a borda da caverna, não deixando que os respingos o molhassem:
- Absolutamente, Corsário. Não sente? A cidade toda dorme tranquila, enquanto os Magos trabalham para fazer chover. A questão é Por quê?