segunda-feira, 4 de julho de 2016

Na casa da Floresta

Lucius
Pararam a carruagem em frente a casa onde os negros capinavam. Despiram-se dos casacos, estava estranhamente quente lá fora.
O homem elegantemente vestido olhou para a casa e parou para observa-la por alguns segundos. O gigante ao seu lado deu voz aos seus pensamentos:
- Uma casa destas... só com negros, hum? Estranho, nao é?
Lucius apenas concordou com a cabeça discretamente. Se aqueles negros eram fortes o suficiente para tomar aquele lugar, com certeza não queria desagrada-los com suas inquietações.
- Vem... é por aqui. - Disse o gigante Seth, enquanto o conduzia pela lateral da casa, em direção a um terreno  que terminava em uma elevação e, após isso, na floresta.
Lucius enxugou o suor da testa com um lenço branco que tirou do bolso. “Como é possível que esteja tao quente? Estamos no inverno!”, pensava, quando chegou ao topo da elevação e viu o casebre que se erguia há alguns metros da floresta.
- Não deveríamos esperar os outros? Eles devem chegar em cerca de uma hora.
- E esperar de baixo deste sol? Nem pensar!  - disse Seth se encaminhando para a casa. Lucius deu de ombros e o seguiu.
Bateram na porta e entraram, a velha estava sentada em uma cadeira de balanço, fumando um cigarro de palha. Lucius sentiu um arrepio subir-lhe a espinha e teve medo.
- Ora, ora, ora, ta ai alguém qui num vejo há muitu tempo!
Lucius sabia que falava dele, Seth limitou-se a escorar-se em um pilar de madeira e cruzar os braços.
- Nos conhecemos, senhora?
A velha puxou uma tragada profunda de seu cigarro e riu, tossindo em seguida.
- Você sabe a resposta, meninu. A última vez que nos vimos você botou fogo na minha casa. Esta casa! E eu morri…. Eu morrer é parte do ciclo, sabe… mas a casa?! Pra que queimar a pobre casinha?! O que ela te fez?
Lucius olhou para Seth confuso, que sorriu retribuindo a impressão.
- Então a gente se conhece de outras vidas? - perguntou Lucius incerto.
- Outras não! Uma só! Esta é a segunda vez que tenho o desprazer de cruzar com sua pessoa, rapaz. Vô dizer que a primeira impressão num foi boa. Você vai ter que se esforçá!
Lucius ajeitou a roupa e disse vigorosamente:
- Prometo que vou me esforçar, senhora.
Ela riu novamente.
- Senhora? Você já me chamou de bruxa... serva do diabo... velha doida! Não que alguma destas coisas fosse mentira mas… cê está sendo muito delicado, padre. Fale a que veio. Você sempre foi objetivo.
Lucius pareceu se irritar, respirou fundo, controlou-se:
- Eles me disseram que você pode remover a mácula. Que você pode tirar isso da gente.
- Isso é verdade, padre. Posso sim. Mas o problema é muito maior do que isso.
Seth descruzou os braços e perguntou timidamente:
- Por que?
- Por que vocês estão entrando no mesmo caminho sem volta que já percorreram. As vidas são cíclicas, por mais que vocês gostem de pensar que estão no controle e que desta vez farão tudo diferente, Seth. Não vão. Poder demais corrompe. Até mesmo os homens do Martelo sabe disso. Por isso marcaram vocês. - Virou-se para Lucius - Foi por isso que você marcou os 3, padre. Você queria impedi-los de que fizessem algo muito ruim, mas, cheio de ganância, como é natural da alma do homem, voltou atrás e por isso compartilha do mesmo destino.
Lucius baixou a cabeça e fitou os próprios pés. Seth estufou o peito pendia a cabeça ora para o lado da velha, ora para o lado do companheiro.
- Você está querendo dizer que ele…
- Sim, Seth, foi o seu próprio amigo que pôs esta marca em vocês...

Eva



segunda-feira, 13 de junho de 2016

Davi e Golias

Michael McSilly

Todos conhecem a parábola de Davi e Golias. 
O pequeno Davi mata o gigante Golias armado apenas de uma funda e de sua fé.
O mundo nem sempre é tão preto e branco, dizem: Davi e Golias poderiam ser amigos na vida real.
O gigante Golias poderia, por exemplo, bater nos amiguinhos da escola que fizessem piada com o porte físico de Davi, que sem uma funda, não seria capaz de revidar.
Talvez Golias também tivesse destroncado o pescoço de um gato ou cachorro de estimação de um ou outro obstinado colega que insistiu nas brincadeiras, dizendo:
- Se você continuar com isso, quebro O SEU pescoço na próxima.
Davi, sendo sábio, poderia ajudar Golias no dever de casa e nas provas da escola. Davi às vezes juraria que conseguia até mesmo "jogar" as respostas na cabeça do amigo gigante, que era péssimo para lembrar regras e números.
Golias poderia até carregar Davi nas costas quando ele se machucasse e Davi poderia defender Golias dos colegas de bar que tentavam caçoar de sua quase ingenuidade.
O fato é que, no mundo real, Davi e Golias teriam muitas razões para serem amigos inseparáveis, pois um completaria o outro, como pão e sopa de batatas.
Golias pensaria em Davi quando acordasse e Davi pensaria em Golias quando dormisse, como um cego que sonha com olhos bons ou um maneta com a mão direita.

Robert
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domingo, 12 de junho de 2016

Sangue, Suor e Vingança


Seth Morgan

- Você já olhou o sr Seth de perto, Sr. Chance?
O velho homem baixou a taça de conhaque e desdenhou:
- Claro, Srta. Me tomas por um incauto?
A mulher, que conhecia a prepotência do amigo decidiu sorrir ao invés de deixar claro como aquelas atitudes a irritavam:
- Refiro-me a observar de verdade, Sr Chance. Da maneira que só pessoas com seus talentos podem fazer.
O velho abriu a caixa de charutos, retirou um deles e cuidadosamente retirou-lhe a extremidade com o cortador. A mulher sabia que ele estava testando sua paciência, Chance gostava de jogos em tudo o que fazia. Se se mostrasse irritada perderia. Decidiu por tomar outro gole da bebida que segurava na taça de cristal.
- Caso se refira ao aviso e à maldição, Srta. Com toda certeza. Desde a primeira vez que o vi.
Ela, ciente que ainda estava jogando, sorveu mais um gole ruidoso e com calma perguntou:
- E mesmo assim insiste em continuar em contato com este americano?
Ele sorriu e abriu a porta da carruagem. Lá fora nevava e as pessoas se acotovelavam para entrar na rinha.
- Não cheguei até aqui sem saber calcular probabilidades e prever jogadas de meus inimigos, Srta. Não se preocupe. Acompanha-me hoje? Sr Seth entrará na quinta rodada e ganhará em menos de 1 minuto.
Ela sorriu de volta:
- A rinha não é um lugar apropriado para damas, Sr Chance. As únicas mulheres que a frequentam são as prostitutas e as que não tem nada a perder.
O homem desceu da carruagem, deu uma tragada em seu charuto e observou a fumaça se desfazendo no ar:
- E de qual das categorias a Srta se excluiu hoje?
Ela sabia que havia perdido aquele jogo quando ele fechou a porta sorridente e se encaminhou para o local, deixando-a apenas com as lembranças e o ódio.



Sr Chancé

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sexta-feira, 10 de junho de 2016

A Dança dos Mortos

Eduard Schön
- Enquanto você não se livrar disso, não vão atender.
- Disso o que? Já estou sem casaco, sem chapéu. O que você fala não faz um pingo de senti... - O coveiro pega a pá e acerta-lhe rosto, interrompendo a frase no meio. Eduard passa alguns segundos, talvez minutos, observando o sangue que estava escorrendo pelo rosto e caindo no chão de terra batida do cemitério. Voltou à realidade com o coveiro gritando:
- Você vem até a casa dos mortos todo engomado?! Camisa bonita?! Sapatos bonitos?! Cabelo alinhado?! É assim que quer falar com quem já apodreceu em baixo da terra, SEU MERDA?! O mundo funciona... o universo funciona em sintonia, seu BURRO! 
Eduard suspirou, levantou-se com esforço e pôs a mão na cabeça: doia. 
Tirou os sapatos e atirou-os longe. Livrou-se também da camisa e deixou que o vento gelado o cortasse. O coveiro se aproximou por trás e sussurrou:
- Descalço como os mortos são enterrados... gelado como eles ficam... sangrando como eles morreram... É assim que funciona, moleque. É assim que os mortos atendem!

Hagar, O Coveiro

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domingo, 5 de junho de 2016

Em algum lugar do tempo


A carruagem parou em frente ao muro que rodeada o palacete. Ninguém saiu dela até que se aproximassem 5 cavaleiros em armaduras vermelhas. Os cavalos também mantinham placas de proteção em seus dorsos, igualmente vermelhas, ostentando um martelo em relevo.
A porta da carruagem se abriu e lá de dentro sairam dois homens.
Um dos cavaleiros desce o cavalo e beija a mão de um deles.
- É aqui?
- Sim, senhor. Seguimos as pistas por meses. É um homem muito bonito pelo o que dizem. Casou-se com a viúva dona das terras. Era um dos ajudantes gerais da casa e, dizem, que mantinha um caso com o coxeiro.
O velho que tivera a mão beijada encara a construção.
- Onde estão os guardas? 
- Estão no campo, monsenhor. Estão no auge da colheita e toda mão de obra está sendo utilizada. Pelo o que os aldeões disseram o trigo nunca cresceu tanto. - O cavaleiro tentava a todo custo não encarar o tapa-olho do velho.
- Vocês darão a volta e entrarão pelos fundos da propriedade. Nós iremos pela frente. Ele é muito perigoso. Usem isso em seus ouvidos: vai dificultar as coisas para ele. - Disse o velho, entregando um pequeno saco aos cavaleiro.
- Devemos leva-lo vivo, monsenhor?
- Apenas o suficiente para que eu chegue em seu coração ainda batendo...

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A corte da Imperatriz

Ele andava de um lado a outro do salão como um louco, dominado pela ira e pela impotência.
- Você não tem este direito! Você não pode dizer o que é bom ou não para mim!
Ela apenas observava em silêncio, já havia dito tudo o que poderia dizer.
Ele tropeçou em um dos corpos que estava no chão e irritado apontou-lhe o dedo, fazendo com que o corpo fosse jogado violentamente contra a parede atrás dela, que tudo assistiu, impávida. O barulho dos ossos se quebrando enquanto o sangue escorria pela parede era ouvido por todo salão.
- Esta querendo me provar seu poder, Olav?
Ele baixou a mão e o corpo despencou, como uma boneca rasgada.
- Você não tem pena deles? São seus súditos! Você não deveria deixar que eu fizesse isso... – E apontou a mão em direção a outro corpo, que foi içado e levantado até o teto por uma força invisível. A cabeça rachou-se quando chocou-se com aos afrescos que preenchiam todo o lugar. Ele baixou a mão, o corpo caiu novamente em frangalhos.
- Eu já sei o quão poderoso você é, Olav e é por isso que não direi o que me pedes. Não precisa desrespeitar minha corte.
- SUA CORTE?! – Ele gritou – Seu séqüito!? Seus adoradores, não é melhor? Você realmente acredita ser uma deusa, não é? Eles te adoram há 300 anos, senhora, não é o suficiente?! Quantas gerações mais vão ter que oferecer sacrifícios para uma deusa falsa para que você se banhe em sangue por simples diversão?!
Ela baixou a cabeça e suspirou, já havia feito aquelas perguntas a ela mesma, centenas de vezes:
- Tens razão, Olav, não sou uma deusa, mas sou o mais próximo disso que qualquer humano já teve!
O homem riu, riu com muita força e como se o mundo todo o ouvisse:
- Você realmente acredita nisso, não é? Os milênios obscureceram sua mente, senhora! Me diga onde encontro o monge e prometo fazê-la uma deusa de verdade!
- Nenhum homem deve ter o que você procura, Olav. E tenho convicção do que digo...
- O que sabe você sobre as vidas de um homem, tendo vivido apenas uma?
- Exato, Olav, eu estava aqui enquanto os homens viveram várias vidas e por isso sei que isso não deve acontecer. É antinatural... mais mesmo até do que os demônios que me mantém viva.

- Você está tirando minha consagração! Minha maior oportunidade... baseada em medos tacanhos já que um ser como você não pode entender a grandiosidade disso! Ao que me compete senhora, esta noite todos seus súditos irão sofrer pela sua decisão, já que está tão convicta dela. Hoje a noite você verá que estou muito mais próximo de deus do que você!


segunda-feira, 25 de abril de 2016

A Imperatriz e o Louco

- Por que você o deixou vivo? Não faz seu estilo...
Ela entrou na carruagem pela parte traseira, erguendo as abas do vestido para que não enroscasse e ficou em silêncio, enquanto empurrou para longe um monte de jóias para que pudesse se sentar.
- Não vai me responder?
Ela levantou a cabeça, seus olhos pareciam perdidos.
- Desculpe, estava perdida em lembranças...
Ele encarou-a impacientemente, ela pareceu não entender:
- O rapaz! O Guerreiro! Por que não o matou?
Ela baixou os olhos novamente em direção ao chão e chutou alguns anéis com o bico do sapato:
- Ele me lembra alguém... Alguém que conheci há muito tempo...

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Os Npc's

Hengel





"Na floresta negra enfrentarei os meus piores medos, tenho certeza! Mas sobreviverei!"








Eliot




"Sou o 2º filho de nobres, não tenho casa, não tenho herança, só meu nome e o dever de pagar pela dívida que tenho com você, Senhor. Se vivo hoje é graças a Vossa Reverendíssima!"







Abu Bantês





"Os ciganos são covardes! Somos os primeiros ratos a deixar o navio e por isso sobrevivemos ao tempo. A caravana corre há mil anos, o que faz você pensar que pode pará-la?!"









A Caravana









"A caravana das horas mortas pede passagem..."

















quarta-feira, 16 de março de 2016

O Amante

ou O Prostituto, ou O Pederasta

- Eu vou mandar que tirem você de lá, Albi. Mandarei homens seqüestrá-lo. Ninguém vai poder dizer que fui eu.

- E o que faríamos depois, meu amor?
- Podemos ir para longe! Podemos ir morar no oriente, nas Índias! Quem sabe na Península! Tenho terras na Espanha...
- Meu amado, estas pessoas podem nos encontrar onde quer que estejamos. Eles são a Igreja, eles têm a benção do Papa. Deveríamos nos sentir agradecidos que ele nos está livrando do destino que merecíamos. – Levantou-se e começou a se vestir, em frente à janela. Fez isso de propósito, para que a luz entrasse e destacasse seu corpo... suas curvas...
O amante virou-se para o lado contrário: sofria.
Albino terminou de se vestir e foi até o homem, que sufocava os prantos contra uma almofada. Respirou fundo, concentrou-se e ergueu sua cabeça com sua delicada mão:

- Olhe para mim, meu amado. Eu vou embora. A todos, você dirá que fui me tornar um monge na Itália. Que não me adeqüei ao frio do norte. Você, meu querido, não chorará por minha partida. Você não sentirá minha falta e, de fato, até mesmo vai me esquecer depois de um tempo. Você cumpriu sua obrigação para comigo quando me deu as jóias e o ouro que estou levando. Você ficará bem, mas nunca mais vai querer outro amante.

terça-feira, 15 de março de 2016

O Gladiador


Hans Keller, filho de Harold Keller, o primeiro de seu nome, barão das terras do norte da Bohemia nasceu rico, mas condenado à pobreza.
Terceiro filho de sua linhagem, não teria direito a títulos ou terras. Não era bom com a pena, mas era bom com a espada. Era o preferido do treinador, terror dos outros filhos dos nobres que tinham que disputar com ele empunhando espadas de madeira.
Sabia que na desesperança por títulos, deveria seguir a carreira militar. Sob o comando de Ricardo IV e da Igreja foi enviado ao Oriente Médio nas Cruzadas, para trazer à luz os infiéis, na qualidade de cavalheiriço.

Em um ataque sorrateiro foi esfaqueado no deserto, agonizante teve visões da morte e dos fantasmas que nela habitam.  Foi salvo por Hengel, um primo nobre distante, que o levará de volta à Bohemia para seguir o difícil caminho dos mortos.

segunda-feira, 14 de março de 2016

A Afogada

Sentia apenas o corpo gelado e as pernas sendo puxadas para baixo. A água clara e o céu vermelho de fim de tarde ficavam par atrás, enquanto afundava. Ederald, seu amor, se agitava tentando romper os nós há cerca de 2 metros dela.
Olhou mais uma vez para cima, o mundo era um caleidoscópio...


Enfim pousaram, só ouviam os próprios gemidos que se espalhavam indistinguíveis pelo lago. Enxergavam um ao outro. Como ela o amava... como queria poder passar o pouco de oxigênio que lhe restava para que ele continuasse lutando, continuasse tentando. Ele era forte, ele conseguiria... Sentiu um choque no corpo, como se levasse um choque...tentou mexer os dedos das mãos que balançavam à sua frente...eles não responderam...
Pânico!

Tentou mais uma vez chacoalhar as pernas para se soltar: elas não responderam.
A água começou a entrar, não tinha forças para se debater. Sentia ela preenchendo seus pulmões, seu estomago.
A vista foi escurecendo, Ederald também não se mexia....Um último solavanco...

Acordou à beira do lago... amanhecia... estava nua e com muito frio. Seu primeiro pensamento foi Ederald, olhou novamente para o logo, sabia que ele não tivera a mesma sorte. Levantou-se cobrindo-se com as mãos, olhou para a floresta: Brienne indicara uma velha conhecida na floresta, alguém que poderia ajudar, há 3 dias de viagem.
Meteu-se no meio da mata, era rápida como um lobo...



Heidi Baden Forchhammer Kupffer, agora Alex, moça de nobre linhagem, que teve o azar de se apaixonar e se entregar para o cocheiro da casa do pai, vive hoje com uma velha bruxa na floresta. A velha lhe ensina os segredos das ervas e dos deuses que moram na floresta...

domingo, 24 de janeiro de 2016

São Paulo by Night

Os Mekhet


Jeremia Casavechia
O velho
Bispo da Zona Leste

Domenico Casavechia
O prático

Giacomo Casavechia
O bonvivant


Luciano Casavechia
O chefe

Paolo Casavechia
O executor


Os Daeva


Krisalida
A Bispo do Centro


Capheus



As três Marias
Maria das Dores - Sempre de preto
Maria Celeste - Sempre de branco
Maria das Graças - Sempre de vermelho