
Ele andava de um lado a outro do salão como um louco,
dominado pela ira e pela impotência.
- Você não tem este direito! Você não pode dizer o que é bom
ou não para mim!
Ela apenas observava em silêncio, já havia dito tudo o que
poderia dizer.
Ele tropeçou em um dos corpos que estava no chão e irritado
apontou-lhe o dedo, fazendo com que o corpo fosse jogado violentamente contra a
parede atrás dela, que tudo assistiu, impávida. O barulho dos ossos se
quebrando enquanto o sangue escorria pela parede era ouvido por todo salão.
- Esta querendo me provar seu poder, Olav?
Ele baixou a mão e o corpo despencou, como uma boneca
rasgada.
- Você não tem pena deles? São seus súditos! Você não
deveria deixar que eu fizesse isso... – E apontou a mão em direção a outro corpo,
que foi içado e levantado até o teto por uma força invisível. A cabeça
rachou-se quando chocou-se com aos afrescos que preenchiam todo o lugar. Ele
baixou a mão, o corpo caiu novamente em frangalhos.
- Eu já sei o quão poderoso você é, Olav e é por isso que
não direi o que me pedes. Não precisa desrespeitar minha corte.
- SUA CORTE?! – Ele gritou – Seu séqüito!? Seus adoradores,
não é melhor? Você realmente acredita ser uma deusa, não é? Eles te adoram há
300 anos, senhora, não é o suficiente?! Quantas gerações mais vão ter que
oferecer sacrifícios para uma deusa falsa para que você se banhe em sangue por
simples diversão?!
Ela baixou a cabeça e suspirou, já havia feito aquelas
perguntas a ela mesma, centenas de vezes:
- Tens razão, Olav, não sou uma deusa, mas sou o mais
próximo disso que qualquer humano já teve!
O homem riu, riu com muita força e como se o mundo todo o
ouvisse:
- Você realmente acredita nisso, não é? Os milênios
obscureceram sua mente, senhora! Me diga onde encontro o monge e prometo fazê-la
uma deusa de verdade!
- Nenhum homem deve ter o que você procura, Olav. E tenho
convicção do que digo...
- O que sabe você sobre as vidas de um homem, tendo vivido
apenas uma?
- Exato, Olav, eu estava aqui enquanto os homens viveram
várias vidas e por isso sei que isso não deve acontecer. É antinatural... mais
mesmo até do que os demônios que me mantém viva.
- Você está tirando minha consagração! Minha maior
oportunidade... baseada em medos tacanhos já que um ser como você não pode
entender a grandiosidade disso! Ao que me compete senhora, esta noite todos
seus súditos irão sofrer pela sua decisão, já que está tão convicta dela. Hoje
a noite você verá que estou muito mais próximo de deus do que você!