quarta-feira, 16 de março de 2016

O Amante

ou O Prostituto, ou O Pederasta

- Eu vou mandar que tirem você de lá, Albi. Mandarei homens seqüestrá-lo. Ninguém vai poder dizer que fui eu.

- E o que faríamos depois, meu amor?
- Podemos ir para longe! Podemos ir morar no oriente, nas Índias! Quem sabe na Península! Tenho terras na Espanha...
- Meu amado, estas pessoas podem nos encontrar onde quer que estejamos. Eles são a Igreja, eles têm a benção do Papa. Deveríamos nos sentir agradecidos que ele nos está livrando do destino que merecíamos. – Levantou-se e começou a se vestir, em frente à janela. Fez isso de propósito, para que a luz entrasse e destacasse seu corpo... suas curvas...
O amante virou-se para o lado contrário: sofria.
Albino terminou de se vestir e foi até o homem, que sufocava os prantos contra uma almofada. Respirou fundo, concentrou-se e ergueu sua cabeça com sua delicada mão:

- Olhe para mim, meu amado. Eu vou embora. A todos, você dirá que fui me tornar um monge na Itália. Que não me adeqüei ao frio do norte. Você, meu querido, não chorará por minha partida. Você não sentirá minha falta e, de fato, até mesmo vai me esquecer depois de um tempo. Você cumpriu sua obrigação para comigo quando me deu as jóias e o ouro que estou levando. Você ficará bem, mas nunca mais vai querer outro amante.

terça-feira, 15 de março de 2016

O Gladiador


Hans Keller, filho de Harold Keller, o primeiro de seu nome, barão das terras do norte da Bohemia nasceu rico, mas condenado à pobreza.
Terceiro filho de sua linhagem, não teria direito a títulos ou terras. Não era bom com a pena, mas era bom com a espada. Era o preferido do treinador, terror dos outros filhos dos nobres que tinham que disputar com ele empunhando espadas de madeira.
Sabia que na desesperança por títulos, deveria seguir a carreira militar. Sob o comando de Ricardo IV e da Igreja foi enviado ao Oriente Médio nas Cruzadas, para trazer à luz os infiéis, na qualidade de cavalheiriço.

Em um ataque sorrateiro foi esfaqueado no deserto, agonizante teve visões da morte e dos fantasmas que nela habitam.  Foi salvo por Hengel, um primo nobre distante, que o levará de volta à Bohemia para seguir o difícil caminho dos mortos.

segunda-feira, 14 de março de 2016

A Afogada

Sentia apenas o corpo gelado e as pernas sendo puxadas para baixo. A água clara e o céu vermelho de fim de tarde ficavam par atrás, enquanto afundava. Ederald, seu amor, se agitava tentando romper os nós há cerca de 2 metros dela.
Olhou mais uma vez para cima, o mundo era um caleidoscópio...


Enfim pousaram, só ouviam os próprios gemidos que se espalhavam indistinguíveis pelo lago. Enxergavam um ao outro. Como ela o amava... como queria poder passar o pouco de oxigênio que lhe restava para que ele continuasse lutando, continuasse tentando. Ele era forte, ele conseguiria... Sentiu um choque no corpo, como se levasse um choque...tentou mexer os dedos das mãos que balançavam à sua frente...eles não responderam...
Pânico!

Tentou mais uma vez chacoalhar as pernas para se soltar: elas não responderam.
A água começou a entrar, não tinha forças para se debater. Sentia ela preenchendo seus pulmões, seu estomago.
A vista foi escurecendo, Ederald também não se mexia....Um último solavanco...

Acordou à beira do lago... amanhecia... estava nua e com muito frio. Seu primeiro pensamento foi Ederald, olhou novamente para o logo, sabia que ele não tivera a mesma sorte. Levantou-se cobrindo-se com as mãos, olhou para a floresta: Brienne indicara uma velha conhecida na floresta, alguém que poderia ajudar, há 3 dias de viagem.
Meteu-se no meio da mata, era rápida como um lobo...



Heidi Baden Forchhammer Kupffer, agora Alex, moça de nobre linhagem, que teve o azar de se apaixonar e se entregar para o cocheiro da casa do pai, vive hoje com uma velha bruxa na floresta. A velha lhe ensina os segredos das ervas e dos deuses que moram na floresta...