segunda-feira, 31 de agosto de 2015

3:32 - Parte II

3:43
A velha vira as costas. Os anjos foram embora: Mais sorte na próxima vez, pensaram.
Subiu os degraus com dificuldade, seu corpo custava a sustentar os 3 ali dentro, mesmo sendo programado e reprogramado para isso. Precisava descansá-lo e deixar que cada um fosse para seu lugar. Coisas grandes estavam previstas para aquela noite, não podiam perder mais tempo.
A porta não se abriu.
Forçou a maçaneta mais uma vez: nada.
Encarou intrigada a porta, que ela mesma projetara e que jamais deveria deixar de cumprir uma ordem sua.
Ouviu um miado a seus pés e teve tempo apenas de observar seu gato se desfazendo em um amontoado de pixels, antes de desaparecer.
Seus olhos se esbugalharam. Sentiam-se estranhos. Deveria ser o aperto dentro daquele corpo. Deveria ser o suor que começou a escorrer da testa da velha. Era medo. Era urgência.
Começou a esmurrar a porta com toda força que tinha, o ruído foi escutado por quilômetros, como se tiros fossem dados em seqüência. Inútil, sabia que aquela porta resistiria até mesmo uma bomba nuclear, o que eram seus punhos?
- Quem está ai?! – gritaram as 3 vozes
- QUEM ESTÁ AI?! – gritaram novamente.
- ABRA!!!!! – gritou enquanto misturava em seus gritos ódio e choro.
Escutou o barulho de sapatos andando pela nave, eles saiam do altar, em direção à porta.
Acalmou-se. Não podia ser nada demais. O Vento poderia ter fechado a porta. Algum visitante poderia ter entrado para rezar e agora ele iria abrir:
- Caleb? – Falaram as vozes do outro lado da porta.
- Quem está ai? – falou com um fio de voz, engolindo a saliva, enquanto sua garganta parecia que ia estourar. Sentia sua pele querendo rasgar enquanto arranhava a pintura da porta de madeira.
- Somos nós, Caleb. Somos muitos. Somos 13.

Quando os Homens criaram os deuses - Parte II

Quando os Homens criaram os Deuses – Parte II

Pequeno quase derrubou a porta, de tanto bater, até que ela se abriu:
- Moranguinho?!
Odair, aka Moranguinho, abriu a porta da boate sorridente, como sempre.
-Talvez queiram entrar! – E abriu caminho para Pequeno e César.
Pequeno o empurrou e entrou bufando:
- Contador! Contador! Onde você está? O que está acontecendo?
O Contador se encontrava no meio da pista de dança, sorridente:
- Mestre, me desculpe. Não pude abrir a porta, mas pedi que o Sr. Moranguinho o fizesse.
- O que ele está fazendo aqui a esta hora? A boate está fechada hoje! – Rebateu Pequeno, indo para cima do Contador, que deu alguns passos para trás.
- Calma, mestre! O Sr. Moranguinho está aqui por que o chamei. Fizemos
um acordo e ele veio pegar a parte dele.
César segurou Pequeno pelos ombros:
- Calma, rapaz! Vamos ver o que aconteceu. Diga logo, contador! Não vou conseguir segura-lo por muito tempo!
O Contador ajeitou a gravata e esticou as pregas imaginárias de seu terno:
- Em primeiro lugar, de agora em diante, agradeceria se me chamassem pelo meu nome: Aldous. Tratarei-os pelo primeiro nome daqui em diante, uma vez que já estamos acertando os... – foi interrompido pelo soco de direita de Pequeno e arremessado ao chão.
- Você vai me chamar de mestre! Eu te criei! Você me obedece!
Aldous, enquanto limpava um filete de sangue que escorreu do canto de sua boca, respondeu:
- Que ironia, não?! Será que serei a primeira criatura a se rebelar contra seu criador?
César fala irritado:
- Acaba logo com isso, Cláudia!
Pequeno olha para as próprias mãos confuso, olha ao redor e para o chão.

- Eu não posso, César! Eu não posso!

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

3:32 - Parte 1

- Falta muito?
- Um minuto.
- Devemos fazer antes?
- Não, de forma alguma. Apenas quando começar.
- Já calculamos todas as probabilidades, programamos o que era possível. Agora é só deixar que Ele faça sua parte.
- E esperar que ELES consigam fazer o que é necessário.
- As nossas pistas foram claras. Todo mundo conhece os milagres de Santo Antônio...
Os outros dois concordaram com a cabeça.
- Quanto tempo dura um minuto?
- Depende de onde estamos. Dentro de um buraco negro poderia...
- Xiu! – falou um deles – 3:33!
Cada um deles engatilhou seu revólver e o colocou na boca.

3...2...1

Quando os Homens criaram os deuses - Parte I

Estavam exaustos, era como se tivessem lutado em três guerras, o que de fato acontecera.  São Paulo ainda estava vazia, o silêncio no rádio do carro de César, irritava Pequeno que tentava achar alguma estação a todo custo.

- Esta porra deve estar quebrada... – E se deixou vencer pelo cansaço.

Estranhamente até as patrulhas estavam em silêncio naquela noite, caia uma fina garoa e havia uma certa tensão no ar. César acreditava que era o calor da batalha: eram os soldados que retornam ao castelo após uma guerra vitoriosa, com as mãos sujas de sangue e o senso de dever cumprido. As gotas que escorriam coloridas no pára-brisa do carro era a multidão que aclamava seus heróis, reflexo dos semáforos mudos.

Chegaram ao Glória, desceram com custo e caminharam até a porta, algo estava diferente...

quinta-feira, 20 de agosto de 2015