segunda-feira, 13 de junho de 2016

Davi e Golias

Michael McSilly

Todos conhecem a parábola de Davi e Golias. 
O pequeno Davi mata o gigante Golias armado apenas de uma funda e de sua fé.
O mundo nem sempre é tão preto e branco, dizem: Davi e Golias poderiam ser amigos na vida real.
O gigante Golias poderia, por exemplo, bater nos amiguinhos da escola que fizessem piada com o porte físico de Davi, que sem uma funda, não seria capaz de revidar.
Talvez Golias também tivesse destroncado o pescoço de um gato ou cachorro de estimação de um ou outro obstinado colega que insistiu nas brincadeiras, dizendo:
- Se você continuar com isso, quebro O SEU pescoço na próxima.
Davi, sendo sábio, poderia ajudar Golias no dever de casa e nas provas da escola. Davi às vezes juraria que conseguia até mesmo "jogar" as respostas na cabeça do amigo gigante, que era péssimo para lembrar regras e números.
Golias poderia até carregar Davi nas costas quando ele se machucasse e Davi poderia defender Golias dos colegas de bar que tentavam caçoar de sua quase ingenuidade.
O fato é que, no mundo real, Davi e Golias teriam muitas razões para serem amigos inseparáveis, pois um completaria o outro, como pão e sopa de batatas.
Golias pensaria em Davi quando acordasse e Davi pensaria em Golias quando dormisse, como um cego que sonha com olhos bons ou um maneta com a mão direita.

Robert
1350
1477
1509
1590
1654
1718
1817

domingo, 12 de junho de 2016

Sangue, Suor e Vingança


Seth Morgan

- Você já olhou o sr Seth de perto, Sr. Chance?
O velho homem baixou a taça de conhaque e desdenhou:
- Claro, Srta. Me tomas por um incauto?
A mulher, que conhecia a prepotência do amigo decidiu sorrir ao invés de deixar claro como aquelas atitudes a irritavam:
- Refiro-me a observar de verdade, Sr Chance. Da maneira que só pessoas com seus talentos podem fazer.
O velho abriu a caixa de charutos, retirou um deles e cuidadosamente retirou-lhe a extremidade com o cortador. A mulher sabia que ele estava testando sua paciência, Chance gostava de jogos em tudo o que fazia. Se se mostrasse irritada perderia. Decidiu por tomar outro gole da bebida que segurava na taça de cristal.
- Caso se refira ao aviso e à maldição, Srta. Com toda certeza. Desde a primeira vez que o vi.
Ela, ciente que ainda estava jogando, sorveu mais um gole ruidoso e com calma perguntou:
- E mesmo assim insiste em continuar em contato com este americano?
Ele sorriu e abriu a porta da carruagem. Lá fora nevava e as pessoas se acotovelavam para entrar na rinha.
- Não cheguei até aqui sem saber calcular probabilidades e prever jogadas de meus inimigos, Srta. Não se preocupe. Acompanha-me hoje? Sr Seth entrará na quinta rodada e ganhará em menos de 1 minuto.
Ela sorriu de volta:
- A rinha não é um lugar apropriado para damas, Sr Chance. As únicas mulheres que a frequentam são as prostitutas e as que não tem nada a perder.
O homem desceu da carruagem, deu uma tragada em seu charuto e observou a fumaça se desfazendo no ar:
- E de qual das categorias a Srta se excluiu hoje?
Ela sabia que havia perdido aquele jogo quando ele fechou a porta sorridente e se encaminhou para o local, deixando-a apenas com as lembranças e o ódio.



Sr Chancé

1333
1472
1511
1600
1654
1718
1817

sexta-feira, 10 de junho de 2016

A Dança dos Mortos

Eduard Schön
- Enquanto você não se livrar disso, não vão atender.
- Disso o que? Já estou sem casaco, sem chapéu. O que você fala não faz um pingo de senti... - O coveiro pega a pá e acerta-lhe rosto, interrompendo a frase no meio. Eduard passa alguns segundos, talvez minutos, observando o sangue que estava escorrendo pelo rosto e caindo no chão de terra batida do cemitério. Voltou à realidade com o coveiro gritando:
- Você vem até a casa dos mortos todo engomado?! Camisa bonita?! Sapatos bonitos?! Cabelo alinhado?! É assim que quer falar com quem já apodreceu em baixo da terra, SEU MERDA?! O mundo funciona... o universo funciona em sintonia, seu BURRO! 
Eduard suspirou, levantou-se com esforço e pôs a mão na cabeça: doia. 
Tirou os sapatos e atirou-os longe. Livrou-se também da camisa e deixou que o vento gelado o cortasse. O coveiro se aproximou por trás e sussurrou:
- Descalço como os mortos são enterrados... gelado como eles ficam... sangrando como eles morreram... É assim que funciona, moleque. É assim que os mortos atendem!

Hagar, O Coveiro

1325
1450
1503
1595
1654
1718
1817

domingo, 5 de junho de 2016

Em algum lugar do tempo


A carruagem parou em frente ao muro que rodeada o palacete. Ninguém saiu dela até que se aproximassem 5 cavaleiros em armaduras vermelhas. Os cavalos também mantinham placas de proteção em seus dorsos, igualmente vermelhas, ostentando um martelo em relevo.
A porta da carruagem se abriu e lá de dentro sairam dois homens.
Um dos cavaleiros desce o cavalo e beija a mão de um deles.
- É aqui?
- Sim, senhor. Seguimos as pistas por meses. É um homem muito bonito pelo o que dizem. Casou-se com a viúva dona das terras. Era um dos ajudantes gerais da casa e, dizem, que mantinha um caso com o coxeiro.
O velho que tivera a mão beijada encara a construção.
- Onde estão os guardas? 
- Estão no campo, monsenhor. Estão no auge da colheita e toda mão de obra está sendo utilizada. Pelo o que os aldeões disseram o trigo nunca cresceu tanto. - O cavaleiro tentava a todo custo não encarar o tapa-olho do velho.
- Vocês darão a volta e entrarão pelos fundos da propriedade. Nós iremos pela frente. Ele é muito perigoso. Usem isso em seus ouvidos: vai dificultar as coisas para ele. - Disse o velho, entregando um pequeno saco aos cavaleiro.
- Devemos leva-lo vivo, monsenhor?
- Apenas o suficiente para que eu chegue em seu coração ainda batendo...