- Podemos dar um jeito de resolver isso de outra forma! Sei que
podemos! Já atrapalhamos o plano dela de outras formas!
- Padre, sei que parece monstruoso, mas é o que temos de fazer!
Estamos há anos nisso! Quantos já não perdemos? As irmãs, a policial... TODOS!
Só restam eu e você!
O
padre balançava a cabeça de um lado para o outro, com o punhal nas mãos. A
criança jazia desacordada a sua frente. Havia sangue em suas vestes, não era de
nenhum dos três. O mendigo estava certo: perderam muito e muitos no caminho.
Não restava nada do grupo, não restava nada da família, apenas ela, a sua
frente, que procuraram durante tantos anos.
-
Mas ela é minha filha.. – E rompeu soluçante em lágrimas, ainda com a menina em
seu colo.
-
Não, não é! Ela é a filha que ELA queria que você tivesse. Vocês foram levados
a isso. Não esqueça para que estamos aqui. Se o plano segue, nós perdemos!
O
padre olha para ele, com um olhar enlouquecido:
-
E quem diz que não é exatamente isso que ela quer que façamos? Quem foi que
disse que ela não quer que matemos esta criança... minha filha! – E volta a
encarar a criança.
- Se você não consegue, eu consigo! Me dê o punhal!
O padre se
levanta e diz, após enfiar o punhal no coração do mendigo:
- Me desculpe...





