sexta-feira, 24 de julho de 2015

Punhalada

- Podemos dar um jeito de resolver isso de outra forma! Sei que podemos! Já atrapalhamos o plano dela de outras formas!
- Padre, sei que parece monstruoso, mas é o que temos de fazer! Estamos há anos nisso! Quantos já não perdemos? As irmãs, a policial... TODOS! Só restam eu e você!
O padre balançava a cabeça de um lado para o outro, com o punhal nas mãos. A criança jazia desacordada a sua frente. Havia sangue em suas vestes, não era de nenhum dos três. O mendigo estava certo: perderam muito e muitos no caminho. Não restava nada do grupo, não restava nada da família, apenas ela, a sua frente, que procuraram durante tantos anos.
- Mas ela é minha filha.. – E rompeu soluçante em lágrimas, ainda com a menina em seu colo.
- Não, não é! Ela é a filha que ELA queria que você tivesse. Vocês foram levados a isso. Não esqueça para que estamos aqui. Se o plano segue, nós perdemos!
O padre olha para ele, com um olhar enlouquecido:
- E quem diz que não é exatamente isso que ela quer que façamos? Quem foi que disse que ela não quer que matemos esta criança... minha filha! – E volta a encarar a criança.
- Se você não consegue, eu consigo! Me dê o punhal!
O padre se levanta e diz, após enfiar o punhal no coração do mendigo:
      - Me desculpe...

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