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| Lucius |
Pararam a carruagem em frente a casa onde os negros capinavam. Despiram-se dos casacos, estava estranhamente quente lá fora.
O homem elegantemente vestido olhou para a casa e parou para observa-la por alguns segundos. O gigante ao seu lado deu voz aos seus pensamentos:
- Uma casa destas... só com negros, hum? Estranho, nao é?
Lucius apenas concordou com a cabeça discretamente. Se aqueles negros eram fortes o suficiente para tomar aquele lugar, com certeza não queria desagrada-los com suas inquietações.
- Vem... é por aqui. - Disse o gigante Seth, enquanto o conduzia pela lateral da casa, em direção a um terreno que terminava em uma elevação e, após isso, na floresta.
Lucius enxugou o suor da testa com um lenço branco que tirou do bolso. “Como é possível que esteja tao quente? Estamos no inverno!”, pensava, quando chegou ao topo da elevação e viu o casebre que se erguia há alguns metros da floresta.
- Não deveríamos esperar os outros? Eles devem chegar em cerca de uma hora.
- E esperar de baixo deste sol? Nem pensar! - disse Seth se encaminhando para a casa. Lucius deu de ombros e o seguiu.
Bateram na porta e entraram, a velha estava sentada em uma cadeira de balanço, fumando um cigarro de palha. Lucius sentiu um arrepio subir-lhe a espinha e teve medo.
- Ora, ora, ora, ta ai alguém qui num vejo há muitu tempo!
Lucius sabia que falava dele, Seth limitou-se a escorar-se em um pilar de madeira e cruzar os braços.
- Nos conhecemos, senhora?
A velha puxou uma tragada profunda de seu cigarro e riu, tossindo em seguida.
- Você sabe a resposta, meninu. A última vez que nos vimos você botou fogo na minha casa. Esta casa! E eu morri…. Eu morrer é parte do ciclo, sabe… mas a casa?! Pra que queimar a pobre casinha?! O que ela te fez?
Lucius olhou para Seth confuso, que sorriu retribuindo a impressão.
- Então a gente se conhece de outras vidas? - perguntou Lucius incerto.
- Outras não! Uma só! Esta é a segunda vez que tenho o desprazer de cruzar com sua pessoa, rapaz. Vô dizer que a primeira impressão num foi boa. Você vai ter que se esforçá!
Lucius ajeitou a roupa e disse vigorosamente:
- Prometo que vou me esforçar, senhora.
Ela riu novamente.
- Senhora? Você já me chamou de bruxa... serva do diabo... velha doida! Não que alguma destas coisas fosse mentira mas… cê está sendo muito delicado, padre. Fale a que veio. Você sempre foi objetivo.
Lucius pareceu se irritar, respirou fundo, controlou-se:
- Eles me disseram que você pode remover a mácula. Que você pode tirar isso da gente.
- Isso é verdade, padre. Posso sim. Mas o problema é muito maior do que isso.
Seth descruzou os braços e perguntou timidamente:
- Por que?
- Por que vocês estão entrando no mesmo caminho sem volta que já percorreram. As vidas são cíclicas, por mais que vocês gostem de pensar que estão no controle e que desta vez farão tudo diferente, Seth. Não vão. Poder demais corrompe. Até mesmo os homens do Martelo sabe disso. Por isso marcaram vocês. - Virou-se para Lucius - Foi por isso que você marcou os 3, padre. Você queria impedi-los de que fizessem algo muito ruim, mas, cheio de ganância, como é natural da alma do homem, voltou atrás e por isso compartilha do mesmo destino.
Lucius baixou a cabeça e fitou os próprios pés. Seth estufou o peito pendia a cabeça ora para o lado da velha, ora para o lado do companheiro.
- Você está querendo dizer que ele…
- Sim, Seth, foi o seu próprio amigo que pôs esta marca em vocês...
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| Eva |


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