sexta-feira, 10 de junho de 2016

A Dança dos Mortos

Eduard Schön
- Enquanto você não se livrar disso, não vão atender.
- Disso o que? Já estou sem casaco, sem chapéu. O que você fala não faz um pingo de senti... - O coveiro pega a pá e acerta-lhe rosto, interrompendo a frase no meio. Eduard passa alguns segundos, talvez minutos, observando o sangue que estava escorrendo pelo rosto e caindo no chão de terra batida do cemitério. Voltou à realidade com o coveiro gritando:
- Você vem até a casa dos mortos todo engomado?! Camisa bonita?! Sapatos bonitos?! Cabelo alinhado?! É assim que quer falar com quem já apodreceu em baixo da terra, SEU MERDA?! O mundo funciona... o universo funciona em sintonia, seu BURRO! 
Eduard suspirou, levantou-se com esforço e pôs a mão na cabeça: doia. 
Tirou os sapatos e atirou-os longe. Livrou-se também da camisa e deixou que o vento gelado o cortasse. O coveiro se aproximou por trás e sussurrou:
- Descalço como os mortos são enterrados... gelado como eles ficam... sangrando como eles morreram... É assim que funciona, moleque. É assim que os mortos atendem!

Hagar, O Coveiro

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