A velha vira as costas. Os anjos foram embora: Mais sorte na
próxima vez, pensaram.
Subiu os degraus com dificuldade, seu corpo custava a
sustentar os 3 ali dentro, mesmo sendo programado e reprogramado para isso.
Precisava descansá-lo e deixar que cada um fosse para seu lugar. Coisas grandes
estavam previstas para aquela noite, não podiam perder mais tempo.
A porta não se abriu.
Forçou a maçaneta mais uma vez: nada.
Encarou intrigada a porta, que ela mesma projetara e que
jamais deveria deixar de cumprir uma ordem sua.
Ouviu um miado a seus pés e teve tempo apenas de observar
seu gato se desfazendo em um amontoado de pixels, antes de desaparecer.
Seus olhos se esbugalharam. Sentiam-se estranhos. Deveria
ser o aperto dentro daquele corpo. Deveria ser o suor que começou a escorrer da
testa da velha. Era medo. Era urgência.
Começou a esmurrar a porta com toda força que tinha, o ruído
foi escutado por quilômetros, como se tiros fossem dados em seqüência. Inútil,
sabia que aquela porta resistiria até mesmo uma bomba nuclear, o que eram seus
punhos?
- Quem está ai?! – gritaram as 3 vozes
- QUEM ESTÁ AI?! – gritaram novamente.
- ABRA!!!!! – gritou enquanto misturava em seus gritos ódio
e choro.
Escutou o barulho de sapatos andando pela nave, eles saiam
do altar, em direção à porta.
Acalmou-se. Não podia ser nada demais. O Vento poderia ter
fechado a porta. Algum visitante poderia ter entrado para rezar e agora ele
iria abrir:
- Caleb? – Falaram as vozes do outro lado da porta.
- Quem está ai? – falou com um fio de voz, engolindo a
saliva, enquanto sua garganta parecia que ia estourar. Sentia sua pele querendo
rasgar enquanto arranhava a pintura da porta de madeira.
- Somos nós, Caleb. Somos muitos. Somos 13.
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