- Sabe, cheguei a achar que não conseguiria isso. Cheguei a
achar que isso é impossível! – Disse Odair enquanto apertava uma das correias.
Pequeno não falou nada, tentava a todo custo pensar em uma
saída. Analisava a programação que ele mesmo havia projetado ali para aquela
sala: exatamente igual, perfeita, com a única diferença: agora a programação o
anulava. Apenas continuava forte, inflexível e não detectada ao olhar humano.
- Ele me deu todo o tempo que quiser, sabia? 3 dias, 3
meses, 3 anos. Só exigiu que fossem 3 algo! Cara estranho este Aldous. Mas os
negócios com ele foram muito lucrativos para todos os envolvidos.
Um lampejo de ideia:
- Eu posso trazer o Marco de volta, Moranguinho! Posso
trazer ele igualzinho ao o que era.
Odair colocou a mão no queixo, se afastou do pau-de-arara,
olhou com interesse:
- Pode?
Pequeno ficou afoito, havia achado o que ele queria:
-Posso!
Odair abaixou-se e ficou cara-a-cara com ele, de ponta
cabeça:
- O que você quer em troca?
- Basta que você me tire daqui. Aqui dentro não posso fazer
nada! O contad.. quero dizer, Aldous fez algo que me impede. Lá fora eu sou
mais forte do que ele! Lá fora eu posso fazer o que quiser! Eu posso...
Foi interrompido pela risada histerica de Odair:
-Você acha MESMO que eu acreditaria nisso? Acha mesmo que o
próprio Aldous não me avisou que você tentaria oferecer qualquer coisa?
Pegou uma gagball e enfiou na boca de Pequeno, que tentou
impedi-lo em vão.
- Sabia que meu sangue pode manter você vivo por anos, mesmo
sob a mais forte tortura? Sob as minhas mais fortes “carícias”? – Odair Sorriu.
Pequeno chorou. Pequeno sentia medo.
Odair pegou um cabo de vassoura, enquanto assoviava La
Traviata.

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